Alguns observadores mais atentos, andando por algumas ruas da cidade, já devem ter notado que várias casas, geralmente de comércio, apresentam em sua fachada ares de primeiro mundo em matéria de arquitetura. Por mais distraído que se possa ser, é quase impossível não ter notado o novo visual, seja nas cores, nas linhas ou nas formas da construção.
Geralmente são construções antigas, que foram restauradas, e conservam, no novo visual, a mistura do antigo com o moderno - numa nova linguagem da arquitetura.
Mas não vá pensando que é só beleza! essa linguagem busca dar à construção funcionalidade, personalidade e equilíbrio, entre outros fatores. Esse novo estilo (reciclagem / intervenção) valoriza as linhas que a casa já apresentava, mas conserva as características e o estilo original da construção. O processo de intervenção é a parte de criação do arquiteto, em que ele utiliza elementos novos, modernos e eficientes, mantendo-se a harmonia, paralelamente ao estilo da obra, tanto na parte externa quanto na interna.
Na verdade esse trabalho é artesanal e, com isso, a "nova" casa ganha mais charme, usando material velho juntamente com material de ponta - conceito, aliás, totalmente oposto às linhas frias e impessoais, voltando-se mais para as "coisas do coração".
A arquitetura agora também está mais voltada para o ser humano, com ambientes criados especialmente para nos sentirmos bem, ou seja, mais aconchegantes, mais charmosos, mais humanos, sendo que o trabalho deve estar mais de acordo com a personalidade do proprietário. Por exemplo, olhando-se a fachada de um comércio, o observador já pode imaginar o seu conteúdo. Uma clínica médica, então, tem que deixar transparecer, em sua arquitetura, algo moderno, atual, funcional, que demonstre limpeza e, principalmente, segurança. Já um restaurante deve vender a imagem de uma coisa aconchegante, como se o freguês estivesse na casa da vovó: além de confortável, arejado, com boa luz e ventilação, entre outras coisas.
Para tudo isso acontecer, fazem-se entrevistas com os clientes para conhecer o seu íntimo. O arquiteto é como um psicólogo, precisa saber de detalhes, por exemplo, como o cliente vive, sua família, seus filhos, se tem animais em casa, do que mais gosta, enfim, o funcionamento total da casa, etc. Todos esses detalhes devem ser incluídos no projeto - e quando o cliente se vê, se sente em casa!